Carne de porco: mitos e benefícios para a saúde

  1. A carne de porco já foi alvo de muitos mitos e por muitas vezes “discriminada” por nós consumidores, mas este tempo passou!

A carne de porco hoje é pop, apresenta diversos benefícios à saúde e possibilidades na cozinha. Vamos desvendar esta proteína!

Benefícios da carne de porco

Para entender os benefícios da carne de porco vamos falar de seus principais nutrientes:

Fonte de proteínas de alta qualidade

A carne de porco é um alimento de origem animal e, por isso, apresenta proteínas de alto valor biológico, ou seja, a proteína da carne de porco apresenta todos os aminoácidos essenciais (aqueles que não podem ser produzidos pelo corpo). A proteína do porco é tão completa quanto a da carne de vaca, frango ou peixe.

As proteínas são fundamentais para a formação de todas as estruturas do corpo e essenciais para funções de regulação e defesa do organismo. 

O consumo adequado de proteínas ainda pode evitar a perda de massa magra e favorecer o processo de construção muscular.

Alto teor de fósforo

O fósforo exerce um papel estrutural, já que está presente na composição da membrana celular, ou seja, está em todas as células do corpo! Este mineral ainda exerce função fundamental no metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras. 

Além disso, o fósforo, assim como o cálcio, é um importante elemento do tecido ósseo e dos dentes.

Quantidades relevantes de zinco

O zinco tem participação no sistema imunológico, na divisão celular, no desenvolvimento reprodutivo e no restabelecimento da pele e ferimentos.

O mineral ainda é constituinte de mais de 300 enzimas, portanto sua ação é amplamente distribuída em todos os sistemas do organismo. O papel antioxidante do zinco também é reconhecido, por isso protege o corpo contra danos causados pelos radicais livres.

Presença de vitaminas do complexo B

As vitaminas do complexo B, com presença em quantidades relevantes nos diferentes cortes do porco, atuam no metabolismo energético, por isso, estão relacionadas a mais disposição. 

A vitamina B1, também chamada de tiamina, atua na formação do material genético e participa na transmissão de impulsos nervosos, melhorando assim o funcionamento do sistema nervoso. Já a vitamina B2 ou piridixina atua no transporte e metabolismo do ferro e na regulação de enzimas tireoidianas. A vitamina B3 ou niacina tem ação na saúde da pele e mucosas e participação para o melhor funcionamento do sistema neurológico.

Portanto, analisando a rica composição da carne de porco podemos destacar algumas propriedades deste alimento:

  • Prevenção da perda de massa muscular;
  • Papel estrutural;
  • Reforço à imunidade;
  • Maior disposição;
  • Saúde óssea;
  • Saúde da pele;
  • Melhor funcionamento do sistema nervoso.

Diferentes cortes, diferentes composições

Como ocorre com outros tipos de carne, a carne suína também apresenta variação na sua composição nutricional dependendo dos cortes; diferentes cortes apresentam diferentes quantidades de vitaminas, minerais, além das diferenças nas quantidades de proteínas e gorduras, esta última também muito relacionada ao tipo de preparo do alimento. Por exemplo, um costela tem maior quantidade de gordura do que o lombo ou a bisteca.

Carne de porco faz mal?

A carne de porco não faz mal! Como já citado ela pode promover diversos benefícios à saúde e participar de uma dieta equilibrada e variada.

Recomendações

É claro que como todo o alimento, a carne de porco também deve ser consumida em quantidades controladas; por ser considerada uma carne vermelha os guias alimentares ao redor do mundo recomendam o consumo de 2-3 porções por semana.

A polêmica da cisticercose

Uma das principais barreiras  sobre a carne suína está relacionada à cisticercose, uma doença que pode atingir o sistema nervoso e causar convulsões e problemas mentais, e que tem no porco um hospedeiro.

De fato esta transmissão pode ocorrer ao consumir carne de porco contaminada e mal cozida, mas, atualmente, os controles sanitários e de inspeção das carnes são mais rígidos, o que minimiza os riscos de contaminação.

Carne de porco é gordurosa?

Muita gente acredita que a carne de porco é mais gordurosa do que outras carnes, como a bovina ou a carne de frango, mas não é bem assim!

Os diferentes cortes de carne apresentam variados teores de gorduras. E como já citado, estes valores são também muito influenciados pelo modo de preparo da carne. 

Confira os teores de gorduras em diferentes carnes e cortes:

Descrição dos alimentos (100g)Gorduras (g)
Porco, bisteca, grelhada17,4
Porco, costela, assada30,3
Porco, lombo, assado6,4
Porco, pernil, assado13,9
Carne, bovina, contra-filé, grelhado4,5
Carne, bovina, costela, assada27,7
Carne, bovina, maminha, grelhada2,4
Carne, bovina, miolo de alcatra, grelhado11,6
Carne, bovina, picanha, grelhada19,5
Frango, filé, à milanesa7,8
Frango, peito, sem pele, grelhado2,5
Frango, sobrecoxa, sem pele, assada12,0

Mulheres grávidas podem comer carne de porco?

Mulheres grávidas podem comer carne de porco sem medo! Como para as demais carnes, as grávidas devem ter especial atenção ao cozimento das proteínas para reduzir o risco de contaminação e proteger mãe e bebê. 

Como fazer carne de porco

A carne de porco vem se mostrando cada vez mais versátil; os diferentes cortes podem ser explorados com diferentes técnicas. Mais comumente os cortes suínos são preparados cozidos, assados ou grelhados.

Devido ao menor risco de contaminação o ideal é não consumir a carne de porco mal passada, embora comprar em locais de boa procedência pode garantir maior segurança. 

A carne de porco permite muitas combinações de temperos; para dar sabor use e abuse das marinadas com elementos ácidos (como suco de frutas), ervas frescas e outros condimentos como pimentas, cúrcuma, páprica, etc. 

Depois de todos esses benefícios e possibilidades está claro que a carne de porco pode e deve estar presente em uma dieta saudável e equilibrada – explore mais esta possibilidade!

Referências:

  1. ILSI – International Life Sciences Institute do Brasil. Vitaminas do complexo B / Funções plenamente reconhecidas de nutrientes. Ribeirão Preto: 2009. Disponível em: http://ilsi.org/brasil/wp-content/uploads/sites/9/2016/05/09-Complexo-B.pdf
  2. ILSI – International Life Sciences Institute do Brasil. Fósforo / Funções plenamente reconhecidas de nutrientes. São Paulo: 2017. Disponível em: http://ilsibrasil.org/wp-content/uploads/sites/9/2017/07/Fasc%C3%ADculo-F%C3%93SFORO.pdf
  3. ILSI – International Life Sciences Institute do Brasil. Zinco / Funções plenamente reconhecidas de nutrientes. São Paulo: 2009. Disponível em: http://ilsibrasil.org/wp-content/uploads/sites/9/2016/05/07-Zinco.pdf
  4. Tabela brasileira de composição de alimentos / NEPA –UNICAMP.- 4. ed. rev. e ampl.. — Campinas: NEPA-
    UNICAMP, 2011.161 p. Disponível em: http://www.nepa.unicamp.br/taco/index.php

Escrito por

Barbara Gerbasi Ortolani

Nutricionista com CRN 34419 formada em Nutrição pela Universidade de São Paulo (USP)

Gastronomia na Universidade Anhembi Morumbi Especializada em Técnicas Culinárias pelo Basque Culinary Center (San Sebastian – Espanha). Atualmente na área de educação infantil e fundamental com temas relacionados a Nutrição e Gastronomia.

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