Dieta cetogênica com jejum intermitente é uma boa ideia?

Qual é a dieta ideal? Se você é uma pessoa que se preocupa com saúde, com certeza já se perguntou isso pelo menos uma vez na vida.

A todo momento surgem novas dietas “milagrosas”, cheias de benefícios. Contraditoriamente, a incidência de doenças crônicas aumenta cada vez mais.

E o que acontece quando resolvemos praticar mais de uma estratégia nutricional simultaneamente?

Uma prática atualmente adotada por alguma pessoas, é a de combinar a dieta cetogênica com o jejum intermitente. Mas será que isso é realmente uma boa ideia?

Para descobrir, vamos primeiro conhecer um pouco melhor sobre cada um.

Dieta Cetogênica

Apesar de muito conhecida nos dias atuais, e praticada na busca da perda de peso, a dieta cetogênica foi originalmente elaborada há quase cem anos.

Porém, o objetivo era completamente diferente: tratar pacientes que sofriam de epilepsia refratária. Essa dieta continua sendo uma intervenção nutricional válida para esse tipo de terapia.

A dieta cetogênica consiste em uma redução extrema dos carboidratos da dieta, e tornando-a rica em lipídeos (gorduras). Essa substituição de carboidratos por gorduras ocorre com o intuito de conseguir um estado de cetose no organismo, o que significa que cetonas passam a ser a principal fonte de energia para o cérebro.

Jejum Intermitente

O jejum é considerado intermitente quando existe apenas um intervalo de tempo durante o dia quando é permitido se alimentar, devendo o indivíduo passar diversas horas sem consumir nenhum alimento.

Ganhou popularidade por parecer ser eficaz na perda de peso, além de melhorar a composição corporal quando associado à prática de exercícios físicos.

Existem diferentes protocolos de jejum intermitente, com intervalos maiores ou menores entre as refeições. O melhor método varia dependendo do paciente, e deve ser determinado por um Médico ou Nutricionista.

Dieta Cetogênica e Jejum Intermitente

Existe um grande desafio na aplicação da dieta cetogênica, que é conseguir induzir o estado de cetose no organismo de forma eficaz.

O método tradicional para se iniciar a dieta cetogênica é realizando jejum, pois ele auxilia o organismo a conseguir atingir o estado de cetose com o aumento da produção dos corpos cetônicos.

Assim, a prática da dieta cetogênica associada ao jejum intermitente tem sido discutida como uma boa opção para aumentar a eficácia da intervenção nutricional. Busca-se, dessa forma, acelerar a redução de peso e aumentar ainda mais a massa magra.

Até aí, aparentemente uma grande combinação. Mas será mesmo? Então, vamos falar dos riscos associados a essa prática.

Riscos da Dieta Cetogênica com Jejum Intermitente

A busca pelo corpo perfeito, e o surgimento de dietas e estilos de vida focados no emagrecimento, fazem com que, muitas vezes, a perda de peso seja vista como um processo saudável. Porém, isso nem sempre é verdade.

Efeitos Colaterais

Alguns efeitos colaterais já presentes na dieta cetogênica e no jejum intermitente, quando feitos isoladamente, podem ser agravados quando combinados.

Tais efeitos colaterais incluem: hipoglicemia (queda do “açúcar” no sangue), tontura, confusão mental, letargia (estado de profunda inconsciência), dores de cabeça, dores no estômago, constipação (intestino preso), cálculos renais (pedras nos rins), aumento do colesterol, náuseas e vômitos.

Deficiências Nutricionais

A dieta cetogênica por si só é uma dieta de alta restrição de nutrientes, o que gera o risco de desenvolvimento de deficiências nutricionais.

A combinação da dieta cetogênica com o jejum intermitente pode agravar ainda mais a situação, sendo extremamente necessário o uso de suplementos minerais e vitamínicos (livres de carboidratos), para diminuir os riscos de deficiências, em especial de cálcio, vitamina D e selênio.

Crise de Gota

A cetose associada ao jejum, embora possa ser eficaz na redução do peso, pode desencadear reações maléficas ao organismo, como uma crise de gota. O mesmo risco é válido para as dietas low carb (pobre em carboidratos), praticadas simultaneamente com o jejum intermitente.

A gota é uma doença caracterizada pelo aparecimento súbito e agudo de dor artrítica localizada, quando os níveis de ácido úrico estão aumentados no sangue, causando um distúrbio no metabolismo das purinas. Tal complicação pode vir a ser severa o suficiente para desencadear a necessidade de cirurgia.

Considerações Finais

Independentemente da estratégia nutricional que você queira seguir, é muito importante que todo o procedimento seja orientado por um Nutricionista.

Seja na hora de associar a dieta cetogênica ao jejum intermitente, ou em qualquer outra decisão com relação a mudanças bruscas na alimentação, ela deve ser acompanhada de perto.

Dessa forma, é possível elaborar as estratégias ideais, a fim de potencializar os resultados e reduzir ao máximo os riscos.

Lembre-se sempre: uma alimentação balanceada, equilibrada, colorida, variada e saudável, em conjunto com uma correta hidratação e prática de exercícios físicos regulares, sempre será a melhor opção para a melhora da sua saúde e qualidade de vida!

Referências:

  1. Krause, MV. Mahan, LK. Escott-stump, S. Krause – Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 12ᵃ ed. 2ᵃ tiragem. São Paulo:Roca, 2010.
  2. Santos, AKM. et al. Consequências do Jejum Intermitente Sobre as Alterações na Composição Corporal: Uma revisão integrativa. Revista e-ciência. 2017; 5(1): 29-37. Disponível em: http://www.revistafjn.com.br/revista/index.php/eciencia/article/view/209
  3. Rola, M., Vasconcelos, C. Dieta Cetogênica – Abordagem Nutricional. Revista Nutrícias. 2014; 22: 16-19. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2182-72302014000300004

2 Comments

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    • Fernanda Heitzmann

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