É verdade que o óleo de palma é cancerígeno ou faz mal a saúde?

É verdade que o óleo de palma é cancerígeno ou faz mal a saúde?

É verdade que o óleo de palma faz mal a saúde e é cancerígeno?

De fato, o volume de evidências científicas que demonstram associação entre nutrição e saúde humana é crescente e cada vez mais consistente!

Dessa forma, para podermos afirmar algo a cerca de qualquer assunto pertinente à nutrição buscamos fontes autênticas com o propósito de sanar e erradicar qualquer tipo de “terrorismo” alimentar.

Nesse sentido, quando em busca por informações científicas sobre “se o óleo de palma faz mal”, observamos que muito tem se estudado a respeito dele, principalmente pela ampla utilização na indústria de alimentos e recentes associações com o desenvolvimento de doenças como o câncer.

Anteriormente, já falamos sobre as gorduras e que elas são um macronutriente essencial na alimentação, e os óleos vegetais, assim como o óleo de palma, constituem uma das principais fontes na dieta ocidental.

Neste post, iremos abordar o que a ciência e os órgãos competentes têm mostrado sobre ele…

O Óleo de Palma

Origem

A Palmeira (Elais guineensis) é uma planta nativa dos países do oeste africano. Tradicionalmente, os locais usam seu óleo principalmente para cozinhar.

Plantações em larga escala são encontradas em regiões tropicais como América Central e do Sul, sendo que a Malásia e Indonésia são os líderes em produção do óleo de Palma, responsáveis por  87% do total produzido mundialmente.

Tipos de óleo extraídos da Palma

A palma produz basicamente dois tipos de óleos: o óleo de palmiste e o óleo da polpa.

O primeiro é extraído do endosperma da semente, com baixíssima produtividade (cerca de dez vezes mais baixa do que o segundo tipo de óleo). Já o óleo da polpa, por sua vez, é produzido em maior quantidade e é extraído do mesocarpo do fruto.

De acordo com relatórios da Food and Agriculture Organization (FAO), em 2010, os óleos de palma e de palmiste participavam de 35% de todo o consumo de óleos vegetais no mundo, desbancando seu maior concorrente, o óleo de soja, que participou com 28% de todo o mercado consumidor daquele ano.

Propriedades nutricionais e refino do óleo

O óleo de palma cru possui uma cor característica que varia entre vermelho e vermelho-alaranjada, o que indica uma riquíssima fonte natural de carotenóides, tocoferóis, e tocotrienóis (potentes antioxidantes).

Esses componentes, além de contribuírem para as propriedades nutricionais do óleo cru, também são essenciais para a estabilidade do mesmo.

As propriedades antioxidantes exercem um importante papel contra o envelhecimento precoce, na redução do risco de doenças cardiovasculares, e na prevenção de alguns tipos de câncer.

Além disso, sabe-se também que os tocotrienóis são potentes inibidores da produção de colesterol.

Embora o óleo cru apresente vasta qualidade nutricional, a indústria alimentícia somente utiliza o óleo de palma refinado (principalmente, porque a cor avermelhada pode interferir na qualidade do produto final e isso é indesejado para a indústria).

Processo de refino e perda de nutrientes

Existem dois tipos de refino de óleo:

  1. Químico: o óleo é tratado com agentes alcalinos ou ácidos;
  2. Físico: o óleo é tratado com vapor, ou é submetido a filtragem, etc.

Em ambos os processos muitos subprodutos indesejáveis são formados e também muitos nutrientes são perdidos.

O óleo de palma com baixo índice de impurezas, de cor clara e estável, é considerado de alta qualidade e “bom candidato” a ser usado pela indústria.

Dessa maneira, o óleo de palma, assim como todos os óleos vegetais, é livre de colesterol, e os ácidos graxos presentes nele são principalmente estruturados como triacilglicerol (TAG).

O principal TAG contido no óleo de palma refinado é o ácido palmítico.

Embora nas últimas décadas muitos estudos tenham reportado potenciais efeitos danosos à saúde atribuídos essencialmente à alta concentração de ácido palmítico no óleo de palma, também nesse mesmo período, a utilização do óleo em questão na indústria de alimentos aumentou exponencialmente por causa da textura, fragrância e paladar neutro conferidos ao produto final.

O óleo de palma pode ser encontrado em diversos produtos industrializados, tais como:

  • Doces;
  • Bolos;
  • Análogos de queijos;
  • Salgadinhos (tipo chips);
  • Chocolates;
  • Gorduras para confeitaria;
  • Cookies;
  • Refeições congeladas (panquecas, tortas, pizzas, batatas);
  • Sorvetes;
  • Margarinas, dentre muitos outros produtos.

Óleo de palma refinado faz mal para a saúde?

Obesidade e doenças cardiovasculares

Obesidade é uma doença metabólica caracterizada por excesso de tecido adiposo, resultado do excesso de energia consumida estocada nos adipócitos como triacilglicerol.

Recentemente, a obesidade tomou proporções de epidemia, já que, mundialmente, cerca de 1,9 bilhões dos adultos e 42 milhões de crianças abaixo de 5 anos são obesos.

Nesse sentido, tem aumentado exponencialmente a morbidade e mortalidade das doenças associadas à obesidade tais como diabetes mellitus tipo 2, doenças cardiovasculares, pressão alta, dentre outras.

Não é de hoje que os cientistas sabem que o consumo excessivo de gorduras, especialmente as saturadas, contribui para a progressão da obesidade e suas complicações.

Além disso, estudos recentes associaram dietas ricas em óleo de palma (rico em ácido palmítico) a eventos inflamatórios e estresse oxidativo.

Os mecanismos envolvidos nesses processos parecem mediar e interferir de forma negativa no metabolismo da glicose fazendo com que a insulina não funcione da forma adequada.

Ainda nesse contexto, um estudo realizado com mulheres mostrou que o ácido palmítico foi responsável pelo aumento na concentração plasmática de triacilglicerol e na redução dos valores de insulina, eventos que estão associados ao risco cardiovascular.

Associações entre óleo de palma refinado e Câncer

Além das muitas evidências associando gorduras da dieta com doenças cardiovasculares e obesidade, atualmente muito tem se discutido a respeito de possíveis relações entre gorduras e desenvolvimento de alguns tipos de câncer.

Por décadas, estudos indicaram uma associação positiva entre ingestão total de gorduras e risco aumentado para desenvolvimento de câncer de seio, colorretal e próstata.

Partindo dessas evidências, tem sido postulado que dietas ricas em gordura (>25%) induzem ao maior risco de desenvolver câncer, quando comparadas com dietas pobres em gordura (<20%). Essa hipótese é sustentada por diversos estudos.

Embora os resultados achados sejam conflitantes, uma vez que alguns estudos não conseguiram constatar uma relação forte entre câncer e ingestão de gordura, o que parece ser consenso é que a grande quantidade de ácido graxo saturado do óleo de palma (ácido palmítico), está associada com a formação de 2 substâncias carcinogênicas: o 3MCPD e o Glicidol.

Entretanto, parece que o maior problema está em controlar e reduzir a formação desses contaminantes em fórmulas de comidas infantis, já que o limite por quilogramas de peso é baixo.

Creme de avelã e óleo de palma

Não obstante, cabe lembrar a polêmica em torno de um alimento muito consumido principalmente por crianças cujo óleo de palma está em grande quantidade na composição – o creme de avelã.

Embora a marca que produz o principal produto a base de creme de avelã tenha mudado a sua fórmula, a quantidade de óleo de palma não sofreu alterações.

De acordo com a Autoridade Europeia de Segurança Alimentar (EFSA), o óleo de palma gera tais contaminantes potencialmente carcinogênicos quando refinado a temperaturas acima de 200ºC.

Mas o órgão não recomendou que os consumidores parassem de consumi-lo, acrescentando que mais estudos são necessários para determinar o risco.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO) alertaram sobre o mesmo risco potencial, mas também não recomendaram que os consumidores parassem de consumir óleo de palma.

Ainda nesse sentido, as autoridades nesse assunto afirmam que muitos estudos, no sentido de reduzir e eliminar esses contaminantes, têm sido feitos.

Portanto, o que podemos concluir por enquanto é que:

  • O consumo excessivo do óleo de palma refinado está associado à obesidade, isso por que ele é o mais consumido dentre os óleos vegetais;
  • O ácido palmítico parece estar associado com o aumento de triacilglicerol na corrente sanguínea, bem como ao “mau funcionamento” da insulina, eventos relacionados ao desenvolvimento de doenças cardiovasculares e diabetes mellitus tipo 2;
  • E, embora estudos mostrem que o refino do óleo de palma gera contaminantes cancerígenos e os mesmos devam ser controlados e monitorados, ainda se faz necessária a realização de mais estudos em humanos para que se possa constatar firmemente a relação entre ácido palmítico, contaminantes cancerígenos e câncer.

Referências:

  1. Santos, R.D. et al . I Diretriz sobre o consumo de gorduras e saúde cardiovascular.Arq. Bras. Cardiol.,  São Paulo ,  v. 100, n. 1, supl. 3, p. 1-40,  Jan.  2013. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0066-782X2013000900001&lng=en&nrm=iso
  2. Mancini A. et al. Biological and Nutritional Properties of Palm Oil and Palmitic
    Acid: Effects on Health. Molecules v.20, p.17339-17361; 2015.
  3. Risks for human health related to the presence of 3- and 2-monochloropropanediol (MCPD), and their fatty acid esters, and glycidyl fatty acid esters in food. European Food Safety Authority. Jan. 2018; Disponível em: http://www.efsa.europa.eu/en/efsajournal/pub/4426
  4. Process contaminants in vegetable oils and foods. European Food Safety Authority. Jan. 2018; Disponível em: http://www.efsa.europa.eu/en/press/news/160503-0

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *