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Luteína: o que é, benefícios, propriedades e como usar

A luteína, assim como a zeaxantina, é considerada um carotenóide. Mais específicamente uma xantofila!

Encontrada naturalmente em alimentos de origem vegetal, suas principais fontes são as frutas e os legumes amarelos e laranjas, além de verduras verde escuras, óleos e oleaginosas.

Na verdade, ambas possuem a mesma fórmula química, a única diferença entre as duas moléculas é a localização de uma ligação dupla de um dos anéis aromáticos.

O que a ciência mostra?

A relação entre luteína e zeaxantina e saúde visual e cognitiva ao longo da vida já é bem conhecida!

Há uma variedade de evidências para apoiar o papel da luteína e da zeaxantina na visão.

Por outro lado, o papel da luteína na cognição foi apenas recentemente considerado. A luteína é o carotenóide predominante no tecido cerebral humano.

Além disso, essas duas substâncias no tecido neural podem ter efeitos biológicos que incluem ação antioxidante, anti-inflamatória e estrutural.

Luteína e Degeneração macular

Estudos comprovaram a relação entre baixas concentrações plasmáticas de luteína e o risco de desenvolver degeneração macular relacionada à idade (DMRI).

A luteína é encontrada em quantidades relativamente altas nos olhos e por esse motivo desempenha um papel importante na manutenção da sua saúde.

À medida que envelhecemos, os níveis dessa xantofila tendem a diminuir no olho, especificamente em uma parte que ajuda a focalizar a luz conhecida como mácula.

A mácula é o ponto amarelo perto do centro da retina do olho. Ela absorve o excesso de luz azul e ultravioleta como se fosse um par de óculos de sol natural.

De maneira bem simples o que acontece é que a luz azul visível demonstrou ser prejudicial aos fotorreceptores do olho.

Luteína e luz azul

A luz azul é denominada “luz visível de alta energia” e, embora seja importante para alguns processos biológicos (como o controle de ciclos circadianos, que são ciclos de alguns hormônios do nosso corpo sensíveis a variação da luz), está associada ao aumento da geração de espécies reativas de oxigênio, e portanto ao desenvolvimento de lesões na retina.

É aí que luteína e a zeaxantina entram, uma vez que elas demonstraram absorver de forma eficiente a luz azul!

Estudos clínicos demonstraram que os pacientes com DMRI que começaram a tomar regularmente complexos à base dessas xantofilas, após o diagnóstico inicial, apresentaram retorno dos níveis do pigmento macular aos da faixa normal.

Da mesma maneira, outros estudos comprovaram que esses dois carotenóides possuem papel importante na manutenção da distribuição celular do epitélio pigmentário da retina, que é responsável pelo bom funcionamento das células fotorreceptoras.

O funcionamento irregular deste complexo pode levar à degeneração das células e redução da acuidade visual.

Efeitos antioxidantes e doenças crônicas não transmissíveis (DCNT)

Além disso, também é investigado se o consumo de altos níveis desses carotenóides na dieta habitual pode levar a níveis também elevados nos tecidos do corpo, em particular nos olhos.

Isto pode conferir efeitos benéficos à saúde, incluindo redução no risco de DCNT pelos seus efeitos antioxidantes.

Gravidez e desenvolvimento neural

Ainda nesse contexto, em cérebros de crianças, a contribuição relativa da luteína para os carotenóides totais é duas vezes maior que a encontrada em adultos, representando mais da metade da concentração de carotenóides totais.

A maior proporção de luteína no cérebro pediátrico sugere uma necessidade elevada durante o desenvolvimento neural também.

Pesquisadores encontraram luteína no cordão umbilical e observaram aumento da necessidade desses 2 carotenoides durante a gestação e amamentação, uma vez que nesses períodos pode haver esgotamento dos estoques maternos.

Em adultos, o maior status da substância está relacionado ao melhor desempenho cognitivo, sendo que a suplementação da mesma melhora a cognição.

Para que serve a Luteína?

Como vimos anteriormente, a luteína tem um papel fundamental na saúde dos olhos, prevenindo doenças como catarata, DMRI, entre outras.

Também vale mencionar que para pessoas com diabetes, a ingestão desses pigmentos (tanto luteína quanto zeaxantina) é ainda mais importante, por causa do risco aumentado de possíveis cegueiras.

Há inclusive estudos que mostram a importância da luteína no desenvolvimento do feto, sendo que no período de gestação a ingestão deve ser ainda mais monitorada e ajustada a fim de evitar possíveis “falhas” no desenvolvimento neural do bebê.

Além das funções descritas, alguns estudos também têm associado a suplementação dessa substância (em conjunto com a luteína) com proteção contra câncer de próstata.

Propriedades e benefícios

A luteína está associada à uma série de benefícios e possui muitas propriedades, dentre as quais podemos destacar:

Redução na incidência de catarata e prevenção de degeneração macular

Um estudo mostrou que mulheres mais velhas que apresentam altos níveis de luteína e zeaxantina, são cerca de um terço menos propensas a ter catarata do que as que apresentam níveis mais baixos da substância.

Níveis baixos de luteína são associados com a degeneração macular!

Nesse sentido, segundo a American Macular Degeneration Foundation, fundação americana que estuda a degeneração macular, aumentar os níveis de ingestão de luteína ou tomar suplementos deste carotenóide pode ajudar a prevenir e tratar a degeneração macular.

Protege a pele

Os olhos e a pele humana são os únicos órgãos expostos diretamente ao ambiente externo. A luteína protege estes órgãos reforçando-os nutricionalmente.

De acordo com o site americano Medical News Today, especializado em saúde e nutrição, a luteína pode ajudar a melhorar a hidratação e a elasticidade da pele, trazendo muitos benefícios. Devido a sua atividade antioxidante, a luteína pode, potencialmente, ajudar a prevenir o dano oxidativo que ocorre ao longo dos anos.

A luteína também serve de ajuda na proteção dos lipídios – óleos e gorduras que compõem a pele de degradação oxidativa.

A luteína também pode ajudar a proteger a pele dos danos causados ​​pelos raios ultravioletas do sol e de poluentes encontrados no ar, porque reforça o sistema de defesa da pele.

Fortalece a saúde cardiovascular

A luteína também está presente no plasma do sangue, ela desempenha função antioxidante benéfica para a saúde do coração e dos vasos sanguíneos.

Antioxidantes como a luteína podem ajudar a prevenir a peroxidação, ou deterioração das gorduras e colesterol no sangue, reduzindo assim a formação de placas nas artérias.

Um estudo publicado em 2001, demonstrou que a luteína tem potencial para ajudar a prevenir o espessamento das paredes das artérias, o que daria início a aterosclerose. A luteína também pode ajudar a diminuir a progressão desta doença.

Mais alguns benefícios da luteína:

  1. Ajuda a reduzir a fadiga ocular e a sensibilidade ao brilho da luz;
  2. Promove a qualidade da função visual e garante a densidade adequada das lentes oculares;
  3. Fortalece o tecido ocular;
  4. Melhora a qualidade da visão.

Fontes naturais de luteína

As fontes naturais mais significativas de luteína e zeaxantina são os vegetais de folhas verde-escuros e outros vegetais verdes ou amarelos.

De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA a couve e o espinafre cozidos são as melhores opções para quem busca aumentar a ingestão de luteína.

Além disso, a gema de ovo é uma fonte não vegetal de luteína e contém concentração significante, porém menor da substancia quando comparada às duas fontes citadas acima.

Como usar?

O melhor é obter este nutriente via alimentação, porém, como na maioria das vezes a ingestão “natural” deixa a desejar, muitas empresas tem adicionado a substância em suplementos vitamínicos.

Embora não haja um valor específico para ingestão diária recomendada para luteína, alguns especialistas sugerem a ingestão de 6 a 10 miligramas de luteína por dia para se adquirir os efeitos benéficos à saúde dos olhos, pele e sistema cardiovascular.

Luteína em “excesso” pode acarretar efeitos colaterais?

Não há registros de efeitos colaterais tóxicos pela ingestão desse carotenóide.

Na verdade, o que pode ocorrer, em casos de pessoas que comem grandes quantidades de cenouras ou frutas cítricas amarelas e verdes, é o desenvolvimento de uma coloração amarelada inofensiva da pele chamada carotenemia.

Embora tal coloração possa ser um tanto alarmante e muitas vezes confundida com icterícia, ela desaparece logo que cessado o consumo destes alimentos ricos em carotenoides.

A carotenemia também pode estar associada ao excesso de consumo de suplementos nutricionais ricos em carotenoides.

Referências:

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