Tudo sobre amamentação do bebê

Tudo sobre amamentação do bebê

Amamentar é uma forma de amar, um ato político e um exercício de doação intenso. A amamentação vai muito além de nutrir um bebê através do leite produzido ao seio. É um momento especial de conexão profunda entre mãe e filho, com repercussão no estado nutricional da criança, em sua habilidade de se defender de infecções, em seu desenvolvimento cognitivo e emocional, além de exercer impacto positivo em sua saúde a longo prazo. A amamentação também tem implicações positivas na saúde física e psíquica da mãe.

No entanto, apesar do desejo de amamentar, o que deveria ser natural acaba se tornando um desafio para muitas mulheres. Afinal, diversas mudanças físicas e hormonais tornam essa fase bastante delicada, desde o início da gestação até as primeiras mamadas após o parto, além da continuidade do aleitamento materno ao longo da construção da nova vida como mãe.

Isso acontece, na maioria das vezes, pela insuficiência de informações de alguns profissionais de saúde sobre como iniciar corretamente o processo de amamentação, de como lidar com os obstáculos que podem surgir e a falta de suporte ativo da rede de apoio dessa mãe, que pode ser composta por familiares ou amigos.

Ter um filho é uma enorme transformação na vida de uma mulher e de toda uma família, e é por isso que neste período tão repleto de novidades é muito importante saber tudo sobre a amamentação. Afinal, o conhecimento é o primeiro passo para o sucesso!

Desde 2017 é comemorado no Brasil o Agosto Dourado, mês dedicado ao incentivo e promoção de informações sobre o aleitamento materno. O nome dourado, inclusive, foi escolhido pelo fato do leite materno ser considerado pela Organização Mundial da Saúde um alimento padrão ouro para a saúde do bebê.

Confira agora um guia completo com as principais informações sobre os benefícios da amamentação para a saúde do bebê e da mãe!

Benefícios da amamentação para a saúde: aleitamento materno exclusivo e amamentação prolongada

O leite materno está sempre pronto para o bebê! Apresenta a segurança nutricional e higiênico-sanitária, temperatura e acolhimento que ele precisa.

O aleitamento materno exclusivo ocorre de fato quando a criança recebe somente leite materno, direto da mama ou ordenhado, ou leite humano de outra fonte, sem a introdução de qualquer outro líquido como sucos, chás e água, exceto as gotas ou xaropes contendo vitaminas, sais de reidratação oral, suplementos minerais ou medicamentos prescritos.

O Ministério da Saúde recomenda que o aleitamento materno seja exclusivo por 6 meses e prolongado a partir desta idade, até os 2 anos ou mais, acompanhado da alimentação complementar adequada.

É importante compreender que não há nenhum benefício em iniciar a oferta de alimentos complementares antes dos 6 meses, podendo acarretar prejuízos a saúde, pois a introdução precoce de outros alimentos e líquidos está associada ao risco de diarreias, doenças respiratórias, menor absorção de nutrientes do leite materno, menor eficácia da amamentação como método anticoncepcional e menor duração do aleitamento.

No segundo ano de vida o leite materno continua sendo fonte importante de nutrientes e não “vira água”. É estimado que dois copos de leite materno (500 ml) no segundo ano de vida fornecem 95% das necessidades de vitamina C, 45% de vitamina A, 38% das de proteínas e 31% do total de energia.

Além disso, o leite materno continua protegendo o bebê contra infecções: estudos científicos demonstraram que crianças que não eram amamentadas no segundo ano de vida tinham chance duas vezes maiores de óbito por doenças infecciosas.

Confira os 15 principais benefícios da amamentação para o bebê e para a mãe:

  1. Evita mortes infantis: o aleitamento materno exclusivo previne contra diarreias e doenças respiratórias, que estão entre as principais causas de mortalidade infantil, além disso, a amamentação na primeira hora de vida é um fator de proteção importante para evitar o óbito de recém-nascidos;
  2. Evita diarreia: crianças não amamentadas tem um risco três vezes maior de desidratarem e de morrerem por diarreia, quando comparadas com as amamentadas. A proteção da amamentação para evitar diarreias pode diminuir quando o aleitamento materno deixa de ser exclusivo e é oferecido água, chás ou sucos, por exemplo;
  3. Evita infecções respiratórias: a amamentação também previne episódios de infecção respiratória e reduz sua gravidade. O aleitamento materno exclusivo diminui os riscos de internação hospitalar por pneumonia, bronquiolite, além de prevenir otites, que são as inflamações no ouvido, muito comuns em crianças;
  4. Evita alergias: a amamentação exclusiva nos primeiros 6 meses diminui o risco de alergia à proteína do leite de vaca, dermatite atópica e outros tipos de alergias como a asma e sibilos recorrentes (chiados no pulmão). Enquanto a exposição ao leite de vaca, mesmo que em doses pequenas nos primeiros dias de vida, parece aumentar o risco de alergia ao próprio leite de vaca, segundo estudos. Por isso, é importante evitar o uso desnecessários de fórmulas lácteas infantis;
  5. Diminui o risco de diabetes, colesterol alto e hipertensão: a amamentação ainda proporciona benefícios que se prolongam por toda a vida. Indivíduos amamentados apresentam pressão arterial mais baixa, menores níveis de colesterol total e risco menor de apresentar diabetes tipo 2. A proteção contra o diabetes também beneficia a mulher que amamenta, pois a homeostase (ou seja, equilíbrio) da glicose melhora em mulheres que amamentam. Já a exposição precoce ao leite de vaca pode aumentar em 50% o risco de desenvolver diabetes tipo 1;
  6. Reduz a chance de obesidade: crianças maiores de 3 anos que foram amamentadas apresentam menor frequência de sobrepeso e obesidade e chance menor de vir a ter obesidade na vida adulta. É possível que os bebês em aleitamento materno desenvolvam uma auto-regulação da ingestão de alimentos tendo sua saciedade aprimorada. A composição única do aleitamento materno também influencia a programação metabólica deste indivíduo na vida adulta, alterando o número ou tamanho das células gordurosas;
  7. Melhor nutrição: o leite materno contém todos os nutrientes necessários ao crescimento e desenvolvimento das criança nos 6 primeiros meses de vida, e continua sendo uma importante fonte de nutrientes no segundo ano de vida, especialmente as proteínas, vitaminas e gorduras. Além disso, é melhor digerido do que os leites de outras “espécies”, como o leite de vaca;
  8. Efeito positivo na inteligência: o aleitamento materno contribui para o melhor desempenho cognitivo. A maioria das crianças amamentadas apresentam vantagem em relação a este aspecto, provavelmente porque as substâncias contidas no leite materno otimizam o desenvolvimento cerebral. Fatores comportamentais ligados ao ato de amamentar também podem favorecer a inteligência;
  9. Melhor desenvolvimento da cavidade bucal: o exercício realizado pelo bebê na amamentação para sugar o leite é muito importante no desenvolvimento adequado da cavidade oral, pois propicia melhor conformação do palato duro e alinhamento dos dentes, além de uma boa oclusão dentária que favorece a mastigação;
  10. Proteção contra o câncer de mama: amamentar diminui o risco da mãe em apresentar câncer de mama e essa proteção independe de etnia e presença de menopausa;
  11. Evita nova gravidez: o aleitamento materno exclusivo e em livre demanda, ou seja, sempre que o bebê solicita, ajuda a prevenir uma nova gravidez em mulheres que ainda não menstruaram. A ovulação nos seis primeiros meses pós parto é inibida com a amamentação e, quanto maior o tempo de aleitamento e número de mamadas, maior será o período sem menstruar após o nascimento do bebê;
  12. Prevenção de diversas doenças para as mulheres: além da proteção contra o câncer de mama e o diabetes tipo 2, o aleitamento materno protege a mulher que amamenta contra câncer de ovário, câncer de útero, hipercolesterolemia, hipertensão, doenças do coração, obesidade, doenças metabólicas, osteoporose e fratura de quadril, artrite reumatoide, depressão pós parto e diminuição do risco de recaída da esclerose múltipla pós-parto;
  13. Menores custos financeiros: o leite materno está sempre disponível e não custa nada. Fórmulas infantis tem custo elevado e implicam na necessidade de mamadeiras, bicos, gás de cozinha e gastos decorrentes de doenças que são mais comuns em crianças não amamentadas;
  14. Promoção do vínculo afetivo entre mãe e filho: a amamentação proporciona diversos benefícios psicológicos para a criança e para a mãe. Uma amamentação prazerosa, olho nos olhos e o contato contínuo entre mãe e filho fortalecem os laços afetivos proporcionando sentimentos de segurança e proteção na criança e de auto-confiança e realização na mulher. Amamentar dá a oportunidade à criança de aprender a se comunicar com afeto;
  15. Melhor qualidade de vida: crianças amamentadas adoecem menos, e necessitam menos de atendimento médico, hospitalizações e medicamentos, o que reduz gastos, faltas ao trabalho dos pais e situações estressantes.

Para que a amamentação seja bem sucedida e estes benefícios sejam conquistados é muito importante que, desde o pós parto no hospital ou outro ambiente onde esta mulher tenha dado a luz, ela esteja cercada de informação e apoio.

É muito relevante que mulheres que desejam amamentar busquem por hospitais e unidades de saúde que adotam essas orientações e elaborem seu plano de parto, um documento que descreve tudo o que essa mulher gostaria que acontecesse ou não, durante e após o seu parto, recomendação da OMS há décadas, apesar de ainda ser pouco conhecido.

Produção do leite materno e suas características

As mulheres adultas possuem glândulas mamárias com dezenas a centenas de alvéolos e ductos onde o leite materno é produzido e armazenado. Durante as mamadas, o reflexo de ejeção fica ativo, dilatando os ductos que se enchem de leite e se dilatam. As mamas durante a gravidez são preparadas para a amamentação por diversos hormônios como o estrogênio, progestogênio, lactogênio placentário, prolactina e a gonadotrofina coriônica que são responsáveis pelo crescimento mamário e proliferação dos ductos mamários.

Na segunda metade da gestação, a atividade secretora das mamas começa a aumentar, e o colostro (primeiro leite produzido) começa a se acumular. A partir de 16 semanas de gravidez a secreção láctea pode começar. Com o nascimento da criança e a expulsão da placenta, os níveis de estrogênio caem e a prolactina e a ocitocina são liberadas em grande quantidade no organismo favorecendo o aleitamento materno.

O colostro apresenta uma composição ímpar, rica em proteínas, vitamina A, minerais e anticorpos e é considerado com o a “primeira vacina” da criança, tamanha a sua importância. Após o terceiro ou quarto dia do parto ocorre naturalmente a descida do leite maduro e a manutenção de sua produção passa a depender da sucção do bebê e do esvaziamento das mamas. O leite acumulado nos alvéolos mamários inibe a produção do leite e por isso é importante que estes sejam continuamente esvaziados para que mais leite seja produzido.

Grande parte da produção do leite enquanto a criança mama é realizada através da ação dos hormônios prolactina e ocitocina. A ocitocina é liberada principalmente pelo estímulo de sucção da criança, mas o interessante é que também é disponibilizada em resposta a estímulos condicionados, como visão, cheiro e choro do bebê, além de fatores de ordem emocional como motivação, autoconfiança e tranquilidade. Por outro lado, a dor, o desconforto, o medo, a ansiedade e a insegurança podem inibir a liberação de ocitocina, prejudicando a saída do leite. Sabe aquela história de que mãe que está dando de mamar não pode passar nervoso? É verdade! Não pode e não deve.

Nos primeiros dias após o parto, a secreção de leite é pequena e vai aumentando gradativamente: cerca de 40-50 ml no primeiro dia, 300-400 ml no terceiro dia e 500-800 ml no quinto dia. Quanto maior for o volume de leite e mais vezes a criança mamar, maior será a sua produção. Quando a mãe amamenta exclusivamente, ela produz cerca de 800 ml de leite por dia e a maioria das mães saudáveis são capazes de produzir mais leite do que o seu bebê precisa.

Composição e funções do leite materno

A natureza é sábia! Surpreendentemente a composição do leite materno é praticamente a mesma em mulheres com as mais diferentes dietas, apenas as com desnutrição grave podem ter seu leite prejudicado em quantidade e qualidade. Apesar disso, é importante adotar e manter uma alimentação variada e saudável durante a gestação e a lactação.

O colostro contém mais proteínas e menos gorduras do que o leite maduro, e ambos atendem as necessidades de cada fase do desenvolvimento do bebê. O leite materno de mães de bebês recém-nascidos prematuros também tem composição diferente do leite de bebês nascidos a termo (entre 37 e 42 semanas de gestação, com o peso de 2,5 a 4 kg e tamanho entre 45 e 55 cm).

Ao longo de uma mamada o leite materno também tem sua composição variada. No início da mamada contém mais água e açúcar (leite anterior) e no decorrer da mamada o leite aumenta a sua concentração de gorduras (leite posterior), importante para saciar a criança, por isso é essencial não controlar a duração das mamadas e deixar a criança soltar o seio naturalmente após estar satisfeita, tendo esvaziado completamente a mama.

Aqui também fica evidente a importância da livre demanda, que nada mais é do que oferecer o seio sempre que o bebê quiser, quantas vezes quiser e pelo tempo que for necessário. Amamentar em livre demanda é gratificante, mas não é fácil, é cansativo e requer muito de uma mãe! Por isso, puérperas (mães que tiveram seus filhos recentemente) precisam de apoio e escuta.

Como ajudar a mãe de um recém-nascido?! Converse com ela, ofereça água (mulheres que amamentam precisam beber bastante água), um prato de comida quentinha e um colo para o bebê para que ela possa comer tranquila ou tomar um banho. Respeite suas vontades em relação a alimentação e cuidados com o bebê e participe como companheiro ou ajude como familiar/amigo nos afazeres domésticos sempre que possível.

O leite materno contém anticorpos que protegem o bebê de infecções. Esses anticorpos são reflexo dos antígenos respiratórios e intestinais com os quais essa mãe teve contato e assim a criança adquire proteção contra os germes que estão prevalentes no meio em que ela irá conviver.

Técnicas adequadas e posições confortáveis para promover a boa amamentação

Apesar da sucção do recém-nascido ser um ato reflexo ele precisa aprender a retirar o leite do peito de forma eficiente. Para isso, a pega correta da mama durante a amamentação é essencial: a boca do bebê deve estar bem aberta e abocanhar toda a aréola e não apena o mamilo, formando um lacre perfeito entre a mama e a boca, formando um vácuo.

Enquanto mama no peito, o bebê respira pelo nariz, estabelecendo o padrão de respiração nasal. O ciclo de movimentos da mandíbula durante a sucção do seio para extrair o leite promove um desenvolvimento adequado harmônico da face do bebê.

Além da pega correta do seio, a posição em que mãe e bebê se encontram durante a amamentação é importante para que o bebê consiga extrair o leite adequadamente e não machuque o mamilo da mãe. Uma coisa depende da outra: uma posição inadequada da mãe ou do bebê dificulta o correto posicionamento da boca em relação ao mamilo e a aréola, resultando em má pega. A má pega dificulta o esvaziamento total das mamas, reduzindo a produção de leite e dificultando que o bebê receba o leite posterior, aquele do fim da mamada, rico em gorduras que sacia a criança e favorece o ganho adequado de peso.

Aí está o X do problema: a mãe tem leite, mas o bebê não está conseguindo extrair de forma adequada e por isso não ganha peso. Então, muitas vezes, o bebê acaba recebendo a indicação inadequada de fórmula láctea. A mãe com o seio machucado desanima e ansiosa com o baixo ganho de peso da criança tem sua liberação de ocitocina afetada pelo estresse, e ela acha que não é capaz de produzir leite o suficiente para o seu filho! Por isso, conhecer e aplicar as técnicas adequadas, compostas por pega do seio correta e posições adequadas de mãe e bebê é fundamental para uma amamentação eficaz e prazerosa.

Os pontos principais do posicionamento adequado são:

  • Rosto do bebê de frente com a mama, com nariz na altura do mamilo;
  • Corpo do bebê próximo ao da mãe;
  • Bebê com cabeça e tronco alinhados (pescoço não torcido);
  • Bebê bem apoiado.

Os pontos principais da pega adequada são:

  • Mais aréola visível acima da boca do bebê;
  • Boca bem aberta;
  • Lábio inferior virado para fora (boca de peixinho);
  • Queixo tocando a mama;
  • Nariz livre e não pressionado na mama.

Os sinais que indicam uma técnica inadequada de amamentação são:

  • Bochechas formando covinhas a cada sucção, elas devem estar cheias;
  • Ruídos da língua (um barulhinho diferente do ouvido na deglutição do leite);
  • Mama aparentando estar deformada ou esticada durante a amamentação;
  • Mamilos com estrias vermelhas ou áreas esbranquiçadas quando o bebê solta a mama;
  • Dor na amamentação.

Amamentar não deve ser dolorido, se está doendo é porque algo está errado.

Quando a mama está muito cheia a aréola pode estar tensa e endurecida, dificultando a pega, e então é recomendado retirar um pouco do leite dessa mama ingurgitada manualmente, para que o bebê possa abocanhar o seio com mais facilidade.

Os seios já passam por uma preparação hormonal ao longo da gravidez para a amamentação, mas algumas práticas podem ajudar: lavar os seios apenas com água para preservar a hidratação natural dos mamilos, utilizar camisas leves de algodão sem sutiã, massagear os bicos dos seios e hidratar a região das aréolas e bicos com o próprio leite materno ajuda a deixar as mamas mais resistentes à fissuras, mas o mais importante é estar sempre atenta a pega correta, principalmente no início, pois depois que o bebê aprende a mamar corretamente o aleitamento costuma fluir naturalmente.

Os bancos de leite materno são espaços públicos, com profissionais habilitados a orientar a técnica de amamentação adequada e auxiliar na resolução de dúvidas ou problemas com o aleitamento materno. Você ainda pode aproveitar a visita para doar leite materno para bebês que estão impossibilitados de receber o leite de suas mães e assim salvar vidas de recém-nascidos. Veja aqui uma lista com os endereços da rede brasileira de bancos de leite humano!

Dificuldades que podem surgir e fatores que atrapalham o aleitamento materno

Alguns obstáculos podem surgir durante o processo de amamentação e atrapalhar a manutenção do aleitamento materno, quando não solucionadas adequadamente. Os principais são ingurgitamento mamário patológico (o “empedramento das mamas”), que pode evoluir para uma mastite, ou até um abcesso mamário quando não tratado.

Doloroso e à vezes acompanhado de febre e mal estar, o ingurgitamento pode ser prevenido com o esvaziamento total das mamas e resolvido com banhos quentes e massagens graduais na área enrijecida. Sutiãs adequados ajudam a proporcionar suporte e manter os ductos mamários em posição anatômica. Em casos mais graves, compressas geladas podem ser feitas na região, por período não superior a 20 minutos e a utilização de analgésicos e anti-inflamatórios sob prescrição médica, pode ser uma alternativa.

Muitas mulheres relatam a dificuldade de ter “pouco leite” ou “leite fraco”. O fato é que a grande maioria das mulheres tem condições biológicas para produzir leite suficiente para atender a demanda do filho. Mas a insegurança materna, muitas vezes reforçada por pessoas próximas, faz com que o choro do bebê, que é normal em maior ou menor grau dependendo da personalidade da criança e do ambiente em que vive, e as mamadas frequentes sejam interpretadas como sinais de fome. Quando a suplementação com fórmula láctea é iniciada ou há o uso de qualquer bico artificial, como as mamadeiras ou chupetas, o bebê tende a mamar menos ao seio, reduzindo a produção de leite e levando ao desmame.

Os sinais de que uma criança está mamando bem são ganho de peso adequado, que pode variar muito, e por isso a principal forma de avaliar a adequação do peso do bebê é aplicando seus dados de peso e estatura às curvas de crescimento infantis propostas pela OMS, e observar se há volume de urina adequado (de seis a oito vezes por dia), evacuação regular (é importante saber que crianças amamentadas exclusivamente podem ficar até sete dias sem evacuar, sem que isto represente uma constipação, devido às características favoráveis de digestibilidade do leite materno) e aparência corada da face. Qualquer alteração neste sentido, deve ser criteriosamente avaliada antes da prescrição precoce de fórmulas lácteas.

Situações especiais como uma nova gravidez, filhos gêmeos e crianças com necessidades neurológicas especiais têm seus obstáculos mas não contra-indicações. A amamentação em tandem, que ocorre quando crianças de diferentes idades estão sendo amamentadas por sua mãe, é possível, e o aleitamento materno de um filho mais velho durante uma nova gravidez só precisa ser avaliado caso a caso quando a gestação tem risco de parto prematuro.

O corpo se adapta às necessidades de leite materno para gêmeos, quando os dois bebês são amamentados em livre demanda e apesar do cansaço envolvido nesse processo, uma rede de apoio ativa pode garantir que a mãe consiga amamentar seus filhos gêmeos pelo maior tempo possível, e crianças com necessidades especiais ou má formações no rosto podem receber o leite materno ordenhado no início, até que consigam desenvolver o reflexo de sucção ao longo de seu desenvolvimento.

Ainda, é possível voltar a amamentar quando há uma interrupção no aleitamento materno. Uma técnica que auxilia mães que se encontram com a produção de leite reduzida é a relactação, que se trata da utilização de uma sonda ligada ao mamilo da mulher à um recipiente com o leite materno, que pode ser obtido por ordenha manual da própria mãe ou em bancos de leite humano. O estímulo de sucção do bebê é continuado pela impressão de estar sugando o seio da mãe e receber o leite, o cérebro promove a partir disto a liberação de ocitocina e prolactina, reestabelecendo aos poucos a produção de leite, para que então a mãe possa voltar a amamentar. A lactação induzida pode estimular a produção de leite materno até em mulheres que nunca amamentaram, em casos de adoção, por exemplo.

A amamentação só não é recomendada em poucos casos, como em mães infectadas com o vírus HIV, em uso de medicamentos anti-neoplásicos e rádio fármacos e presença de infecção herpética na região das mamas ou varicela, por exemplo.

Como manter o aleitamento materno após o retorno ao trabalho?!

Apesar do aleitamento materno exclusivo ser recomendado pelo Ministério da Saúde por 6 meses, a atual licença-maternidade exigida por lei é de 4 meses no Brasil, apesar da licença-maternidade estendida por 6 meses ser proposta para as empresas que aderem ao Programa Empresa Cidadã, mediante incentivos fiscais, o que a maioria das empresas infelizmente não fazem.

De acordo com o artigo 396 da CLT a mãe tem direito a duas pausas diárias durante o horário de trabalho, de meia hora cada para amamentar seu próprio filho, até que ele complete seis meses de idade. Como muitas mães trabalham há mais de uma hora do seu local de residência pode ser negociado com a empresa o prolongamento da licença-maternidade por mais 15 dias.

Mesmo com todos os obstáculos de amamentar trabalhando fora do lar, com o apoio dos familiares, especialmente do companheiro, e bem orientadas, toda mulher pode manter a amamentação em momentos que exigem a separação física entre a mãe e o bebê. Para que isso seja possível é importante que algumas medidas sejam tomadas antes e após o retorno ao trabalho:

Antes do trabalho:

  • Manter o aleitamento materno exclusivo;
  • Conhecer as facilidades para a retirada e armazenamento do leite no local de trabalho (privacidade, freezer e horários);
  • Praticar a ordenha de leite (de preferência manualmente) e congelar o leite para uso no futuro;
  • Iniciar o estoque de leite 15 dias antes do retorno ao trabalho.

Após o retorno ao trabalho:

  • Amamentar com frequência quando estiver em casa, inclusive a noite;
  • Evitar mamadeiras. Oferecer a alimentação por meio de copo e colher;
  • Durante as horas de trabalho, esvaziar as mamas por meio de ordenha e guardar o leite em congelador. Levar para casa e oferecer à criança no mesmo dia, no dia seguinte, ou congelar. O leite pode ser conservado por 12 horas na geladeira, e no freezer ou congelador por 15 dias;
  • Para alimentar o bebê com leite materno ordenhado congelado, esse deve ser descongelado, em banho-maria fora do fogo. Antes de oferecê-lo à criança, ele deve ser agitado suavemente para homogeneizar a gordura.

Ordenha de leite materno

A ordenha de leite materno manual é feita da seguinte forma:

  1. Separe recipientes de vidro com boca larga e tampa de plástico resistentes à fervura por mais de 20 minutos, previamente esterilizados;
  2. Sentada em posição confortável com os cabelos presos e as mãos limpas, posicione o recipiente abaixo dos seios e incline o tórax sobre o abdômen para facilitar a saída do leite e aumentar o fluxo;
  3. Com os dedos da mão em forma de “C”, colocar o polegar na aréola acima do mamilo e o dedo indicador abaixo do mamilo na transição entre a aréola-mama, em oposição ao polegar, sustentando o seio com os outros dedos. Depois comece a pressionar suavemente o polegar e o dedo indicador, um em direção ao outro, e levemente para dentro em direção à parede torácica, pressionando e soltando, pressionando e soltando, sem apertar demais para não bloquear os ductos e de modo que não haja dor;
  4. Após pressionar o seio algumas vezes, ele começa a pingar e depois jorrar, quando o reflexo da ocitocina for ativado. É normal que o leite demore um pouco para começar a sair do seio;
  5. Mude a posição dos dedos ao redor de toda a aréola para extrair o leite de todas as áreas da mama e conforme a quantidade extraída for diminuindo, alternar o seio.

Bombas manuais e elétricas também podem ser utilizadas para realizar a ordenha de leite materno e devem ser esterilizadas a cada uso para preservar a qualidade higiênico-sanitária do leite. Os frascos com o leite ordenhado devem ser identificados com etiquetas com o dia e horário em que foram extraídos para facilitar a organização e a utilização correta do leite materno.

Como oferecer o leite ao bebê?

O leite ordenhado deve ser oferecido em copo, xícara ou colher. Os bicos artificiais de chupetas e mamadeiras devem ser evitados, pois precipitam o desmame precoce e podem prejudicar o desenvolvimento da face e alinhamento dos dentes.

Existe uma técnica adequada para que o cuidador ofereça o leite ao bebê: é importante que a criança esteja desperta e tranquila e em posição semi-sentada e então colocar o copo gentilmente no lábio inferior do bebê, inclinando-o levemente para que o bebê sinta o leite entre os lábios. Desta forma, o bebê irá lamber o leite e depois deglutir até que esteja satisfeito, o que pode ser notado quando a criança adormece ou para de se alimentar.

Grupos de apoio e incentivo à amamentação: a união faz a força!

Amamentar pode transformar uma mãe e, como vimos aqui, traz uma série de benefícios para a vida do bebê! Mas com todas as dificuldades e obstáculos que surgem no caminho, muitas mulheres se sentem sozinhas nesta trajetória e acabam desistindo do desejo de alimentar seus filhos com o precioso leite materno.

Pensando nisso, mulheres que encontraram ao longo do caminho do puerpério desafios difíceis de enfrentar sozinhas resolveram se unir para assim, se apoiarem, refletirem e discutirem juntas os desafios da amamentação e da maternidade, pautadas em evidências científicas, mas com um olhar generoso de compartilhamento.

Os maiores grupos do Brasil destinados a discutir o aleitamento materno, de mulher para mulher, são o GVA – Grupo Virtual de Amamentação e o Matrice – Ação de apoio à amamentação onde toda mãe com alguma dúvida ou desabafo encontra conteúdo de qualidade sobre a amamentação e espaço de escuta e acolhimento. Estes grupos são bem organizados e, apesar de todos estarem livres a falarem sobre suas experiências, não é permitido a disseminação de conteúdo duvidoso.

Agora que já sabe tudo o que precisa saber sobre a amamentação, você pode apoiar uma mãe presente na sua vida ou estar pronta para enfrentar os desafios se estiver grávida ou desejar ter um filho no futuro. Não permita que influências negativas e dificuldades interfiram em suas escolhas e na saúde do seu bebê!

Referências:

  1. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da Criança: Aleitamento materno e alimentação complementar, 2ª edição. Cadernos de Atenção Básica, nº 23: Brasília, 2015. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_aleitamento_materno_cab23.pdf
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Cartilha para a mulher trabalhadora que amamenta / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – 2. ed. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015. 28 p. Disponível em: http://estatico.redeglobo.globo.com/2015/08/03/15_0436_M.PDF
  3. Brasil. Rede Global de Bancos de Leite Humano. Home> Questões de amamentação. Fundação Oswaldo Cruz: Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: https://rblh.fiocruz.br/pagina-inicial-rede-blh
  4. World Health Organization. Home> Nutrition> Ten Steps to Sucessfull Breastfeeding (revised 2018). Disponível em: http://www.who.int/nutrition/bfhi/ten-steps/en/

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