Super Clube Fit

Malefícios do açúcar e quais alternativas mais saudáveis

Algumas teorias sobre a evolução do homem sugerem que uma especial pré-disposição fisiológica para o sabor doce foi uma resposta evolutiva que os ajudou a encontrar e identificar alimentos seguros e nutritivos, tornando o sabor doce singular e diferente de qualquer outro, com uma aceitação muito mais universal que outros sabores.

Na natureza, os alimentos bons, como as frutas maduras, têm gosto doce, enquanto que o sabor amargo é associado a substâncias venenosas, presente em muitas plantas como as que contêm alcalóides. A família dos alcalóides nas estruturas químicas das plantas inclui a morfina, a estricnina, a nicotina e a cafeína.

O que é Açúcar e porquê se tornou um “alimento ruim”?

Partindo do background feito acima, porque será que um alimento que foi tão importante para a evolução humana se tornou um vilão?

O açúcar é um adoçante natural de sacarose!

Esta, por sua vez, é produzida por todas as plantas verdes, através da fotossíntese, processo pelo qual se formam substâncias orgânicas a partir do anidrido carbônico e água, mediante reações que ocorrem em presença da clorofila (que é o pigmento verde das plantas) por exposição à luz visível, sobretudo a solar.

Os açúcares, segundo pesquisadores da área, são um grupo de substâncias com sabor adocicado amplamente presentes em alimentos em geral. Eles fazem parte de um grande grupo de substâncias chamadas de carboidratos.

Carboidratos, em geral, são compostos químicos constituídos principalmente por carbono, hidrogênio e oxigênio, que podem se reunir para formar uma única unidade, como os monossacarídeos, ou cadeias longas de unidades de sacarídeos, conhecidas como polissacarídeos, como, por exemplo, a amilose e a celulose.

Existem variedades de açúcares, sendo que eles podem ser extraídos da cana de açúcar e até mesmo da beterraba. De maneira geral, todos se apresentam na forma sólida, são compostos de pequenos cristais de diferentes tamanhos, obtidos por dissolução, purificação e recristalização de açúcar.

Açúcar e seu rótulo de “Alimento ruim”…

Normalmente, na natureza os açúcares estão associados à algum tipo de fibra, como nas frutas e vegetais, por exemplo. O problema é que, atualmente, a principal via de consumo do açúcar é através dos alimentos ultraprocessados ou como o açúcar de adição mesmo (aquele açúcar branco que você coloca no café, no suco, e etc)!

De forma bem resumida, o que acontece é que sem as fibras esse açúcar chega ao fígado, onde é processado, muito rapidamente criando um aumento drástico na quantidade de açúcar no sangue. Com o fígado sobrecarregado, o pâncreas passa então a produzir mais insulina, que serve para transformar o açúcar em gordura.

Em um ciclo vicioso, os níveis elevados de insulina impedem o funcionamento do mecanismo no cérebro que indica saciedade e vão criando cada vez mais resistência no organismo, o que pode levar ao diabetes.

Nesse contexto, toda vez que você ingerir açúcar  “livre” da companhia de fibras –  ou em dose exageradamente maior do que elas, seu corpo automaticamente responde dessa forma “exagerada”. Metabolicamente falando, no quesito açúcar (não estamos colocando aqui as vitaminas e demais nutrientes, ok?!), vale a mesma regra para um copo de refrigerante ou para um suco de frutas natural.

Essa relação levou o endocrinologista David Ludwig, professor de nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard, a afirmar que “comer uma tigela de flocos de milho industrializados sem adição de açúcar ou uma tigela de açúcar sem adição de milho é a mesma coisa”.

O açúcar refinado é o mesmo que o açúcar branco, processado a partir do melado de cana ou do açúcar mascavo. Inicialmente marrom, o açúcar recebe aditivos químicos como enxofre no processo de refinamento para ficar claro. Nesse processo, o açúcar refinado perde vitaminas e minerais e permanecem somente as calorias vazias, sem nutrientes. Sendo assim, conheça outras opções que podem ser mais “saudáveis”, dependendo, é claro, da forma como serão consumidas.

Outras opções ao açúcar

É importante salientar que:

  • O açúcar é uma importante fonte de cálcio, fósforo, ferro, cloro, potássio, sódio, magnésio e de vitaminas do complexo B;
  • O consumo de qualquer uma das variedades de açúcar deve ser feita com moderação, e indivíduos diabéticos devem seguir as orientações de um médico ou nutricionista quanto ao consumo deste alimento.

Açúcar Orgânico

Difere-se dos outros porque no plantio da cana não são usados adubos nem fertilizantes químicos. Na industrialização, não recebe nenhum ingrediente artificial e é livre de cal, enxofre, ácido fosfórico e outros elementos adicionados ao produto refinado. A embalagem do produto é biodegradável. Sugere-se o uso do mais escuro, por manter suas propriedades nutricionais.

Açúcar Mascavo

É um açúcar bruto e escuro, extraído da cana de açúcar. Não passa pela etapa de refinamento e mantém suas vitaminas e sais minerais. Seu sabor é de rapadura e melaço.

É um açúcar granulado de coloração amarela, pois não sofre processo de branqueamento. Passa por um leve refinamento e não recebe aditivos químicos. Apresenta valores nutricionais semelhantes ao mascavo.

É extraída de frutas e do milho. A frutose adoça cerca de 30 vezes mais do que o açúcar comum e a fornece a mesma quantidade de calorias que o açúcar refinado.

Açúcar Cristal

Apresentam cristais grandes e claros. Perde cerca de 90% dos sais minerais no processo de refinamento.

Açúcar Light

É uma combinação entre açúcar refinado com adoçantes, aspartame e ciclamato, que aumentam o poder de adoçar. Possui menos calorias do que o açúcar comum.

Referências:

  1. Wolke, R. L. O que Einstein Disse a Seu Cozinheiro, vol.01, Cap. 01 Ed. Jorge Zahar, 2003. págs 13 à 20.
  2. Vettorazzi, G., Macdonald,  I.  SACAROSE Aspectos Nutricionais e de Segurança no Uso do Açúcar. São Paulo, Editora Hucitec, 1989 págs 35 a 75.
  3. Souza, M. J. P., Oliveira, P. R., Burnquist, H. L. Lar “Doce” Lar: uma análise do consumo de açúcar e de produtos relacionados no Brasil.Rev. Econ. Sociol. Rural,  Brasília ,  v. 51, n. 4, p. 785-796,  Dec.  2013 .   Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-20032013000400009&lng=en&nrm=iso
  4. Ludwig, D. S. Examining the health effects of fructose. JAMA. 310(1):33-4, 2013.
  5. Carretta, D. B. AÇÚCAR: SEUS EFEITOS SOBRE A SOCIEDADE SACAROSE DEPENDENTE, Monografia apresentada ao Departamento de Odontologia – Universidade de Brasília, Faculdade de Ciências da Saúde – como requisito para obter o título de Especialista em Saúde Coletiva , 2006.