Mel: entenda os benefícios deste superalimento para seu corpo

Mel: entenda os benefícios deste superalimento para seu corpo

Os benefícios do mel são reconhecidos há séculos, já que sempre foi considerado um alimento especial e é utilizado pelo ser humano desde os tempos mais remotos. Evidências do seu uso aparecem desde a pré-história, com inúmeras referências em pinturas rupestres, manuscritos e pinturas do Egito Antigo.

O mel, por definição, é uma substância viscosa, aromática e açucarada, obtida a partir do néctar das flores e/ou exsudatos sacarínicos que as abelhas melíficas produzem.

Complexo?! Calma… você já vai compreender melhor o que isso significa!

A utilização do mel na nutrição humana não deveria se limitar apenas à sua característica adoçante, como excelente substituto do açúcar, mas principalmente por ser um alimento de alta qualidade, rico em energia e inúmeras substâncias benéficas ao organismo.

O aroma, paladar, coloração, viscosidade e propriedades medicinais do mel variam de acordo com a espécie da abelha e a flor que ela utilizou para extrair o néctar.

Consideradas insetos alquimistas, as abelhas coletam o néctar da flor e o armazenam em bolsas que ficam em seu corpo. Depois o néctar é transportado até a colméia, onde enzimas produzidas por glândulas da cabeça da abelha produzem a enzima invertase, que transforma o néctar em glicose e frutose, e a enzima glicose oxidase, que proporciona acidez impedindo que ele fermente. As abelhas também batem as asas para secar o excesso de água do néctar e assim modificam a sua consistência.

Por isso aquele termo complicado exsudato sacarínico, nada mais é do que um fluído orgânico adocicado que é liberado pelas abelhas, já que é no interior de seu corpo que o néctar floral se transforma em mel.

A natureza é incrível e sábia! Conheça a composição e benefícios do mel, que é um superalimento para a sua saúde!

Composição do mel

A composição do mel depende, principalmente, das fontes vegetais das quais ele é derivado, mas também de diferentes fatores, como o solo, a espécie da abelha, o estado fisiológico da colônia, o estado de maturação do mel, as condições climáticas na época da colheita, entre outros.

Basicamente, o mel é composto por um mistura complexa de açúcares, água e diversos outros elementos.

Composição nutricional média do mel de abelha em 100 g do alimento:

  • Calorias: 307 kcal
  • Umidade: 17,1 g
  • Carboidratos totais: 82,1 g
  • Frutose: 38,5 g
  • Glicose: 31,0 g
  • Maltose: 7,2 g
  • Sacarose: 1,5 g
  • Outros carboidratos: 4,0 g
  • Fibras: 0,2 g
  • Proteínas: 0.3 g
  • Potássio: 52 mg
  • Cálcio: 6 mg
  • Fósforo: 4 mg
  • Sódio: 4 mg

Açúcares: os principais açúcares do mel são os monossacarídeos frutose e a glicose, representando 80% de seus açúcares totais. Os dissacarídeos sacarose e maltose somam 10%. Por ser constituído primordialmente por açúcares simples como a glicose e a frutose, que passam rapidamente do intestino à corrente sanguínea para serem absorvidos pelas células, o mel apresenta melhor digestão do que o açúcar comum, a sacarose.

Água: a água presente no mel tem um papel muito importante na sua qualidade e característica, pois apresenta forte interação com as moléculas dos açúcares, o que deixa pouca água disponível para os microorganismos. A legislação brasileira permite um valor máximo de 20% de água na composição do mel, mas valores acima de 18% já podem comprometer sua qualidade.

Enzimas: as enzimas adicionadas ao néctar pela abelha são essenciais para provocar as mudanças químicas que irão aumentar a quantidade de açúcar. A enzima invertase transforma 3/4 da sacarose do néctar em glicose e frutose, produzindo uma solução mais saturada em açúcares e resistente à deterioração por fermentação. Outras enzimas estão presentes na produção do mel como a diastase, que atua quebrando o amido, e a glicose-oxidase, que reage com a glicose produzindo o ácido glucônico, principal composto ácido do mel, que o protege contra a decomposição bacteriana.

Em concentrações bem menores, o mel apresenta proteínas de origem vegetal, provenientes do néctar e do pólen das flores; e de origem animal, acrescidas pelas abelhas. O aminoácido que aparece em maior quantidade é a prolina, que vem da saliva da abelha e juntamente com a água indicam o grau de maturidade do mel.

Além desses compostos, esse delicioso alimento contêm ácidos orgânicos que exercem efeito em seu sabor. Minerais como o potássio, magnésio, sódio, cálcio, fósforo, ferro, manganês e cobalto, e algumas vitaminas, especialmente a vitamina B1 e a vitamina C.

Os pigmentos do mel pertencem à classe dos carotenóides, pigmentos da natureza que dão aos alimentos o tom amarelo a vermelho, e os polifenóis antocianidas e flavonas, excelentes antioxidantes.

Propriedades terapêuticas e benefícios do mel para a saúde

O mel e o pólen das abelhas são muito utilizados pelos índios da Amazônia pelo seu potencial terapêutico, como por exemplo: efeito imunológico, analgésico, anti-inflamatório, analgésico, sedativo e expectorante.

Além de adoçante natural, o mel é fonte de energia e um alimento saudável com efeito cicatrizante, notável aroma e ação antibacteriana.

No entanto, a propriedade mais notável do mel é sua atividade antimicrobiana, confirmada em diversos estudos e justificada pelas suas características e propriedades físicas, como a presença de diversas enzimas, reduzida atividade de água e baixo pH, baixo conteúdo proteico, baixo potencial de oxidação e viscosidade que limita a solubilidade de oxigênio do produto.

Diversas bactérias são sensíveis à atividade antimicrobiana do mel, entre elas, as bactérias causadoras de infecções respiratórias, pneumonia, tuberculose, diarreias, infecções de garganta e urinárias, podendo ser então um auxiliar na prevenção e tratamento destas doenças.

Estudos científicos também demonstraram sua eficácia no tratamento de doenças gastrointestinais, além de candidíase, doenças orais (faringite e cáries) e doenças oculares, como a inflamação de pálpebras, catarata e inflamação das córneas.

Junto à atividade antibacteriana, o mel mostra-se capaz de reparar danos à mucosa intestinal, estimulando o crescimento de novos tecidos e funcionando como um agente anti-inflamatório.

O mel mostra-se também um bom repositor de glicose na reidratação, ainda, auxilia no aumento da absorção de sódio e água, enquanto a frutose promove o aumento de potássio. A mistura dos carboidratos, frutose e glicose que constitui o mel é a maneira mais adequada para prevenir a fadiga e aumentar o rendimento, o que o torna um excelente alimento para praticantes de atividades físicas e atletas.

Os elementos com capacidade antioxidante presentes no mel incluem os flavonóides, carotenóides, ácido ascórbico e ácidos orgânicos, sendo que seus compostos fenólicos são mais disponíveis por serem hidrossolúveis e percorrerem com facilidade o plasma sanguíneo. A capacidade antioxidante do mel de diferentes floradas está relacionada com a sua atividade de água e cor. Quanto mais escuro o mel, mais alta sua capacidade antioxidante, pois estes possuem maior conteúdo de água.

Além de todos esses benefícios do mel, seus oligossacarídeos apresentam propriedades prebióticas, que modificam a flora intestinal promovendo a multiplicação de bactérias benéficas que auxiliam na melhora do trânsito intestinal, no aumento da imunidade e até na qualidade do sono.

Se restava alguma dúvida, agora você já deve ter se convencido das vantagens de incluir o mel na alimentação do dia a dia para favorecer a sua saúde e adoçar a vida de forma natural e deliciosa. Aproveite!

Referências:

  1. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária. Mel – Características e Propriedades. Ricardo Costa Rodrigues de Camargo et al. Teresina: Embrapa Meio-Norte, 2006, 21 p. Disponível em https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/69419/mel-caracteristicas-e-propriedades
  2. Silva, R. A. et al. Composição e propriedades terapêuticas do mel de abelha. Rev. Alim. Nutr., Araraquara. v. 17, n. 1, p. 113-120. jan./mar.,2006. Disponível em https://www.researchgate.net/publication/49599717_Composicao_e_propriedades_terapeuticas_do_mel_de_abelha
  3. Revista Super Interessante Home >Ciência >Como as abelhas fazem mel? Autora: Mariana M.B. de Carvalho. Disponível em https://super.abril.com.br/ciencia/como-as-abelhas-fazem-mel/
  4. Udesc – Universidade de Santa Catarina. Produção: Jornal Sul Brasil. Caderno SB Rural. O mel e suas propriedades. Autoras: Suzana Just e Cássia Nespolo. Edição 47. 30.09.2010. Disponível em http://udesc.br/arquivos/ceo/id_cpmenu/1043/caderno_udesc_047_15197416503848_1043.pdf

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