Alimentos transgênicos: o que são, benefícios e riscos

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Os alimentos transgênicos são alvo de polêmica: por alguns são defendidos como um avanço da biotecnologia que podem revolucionar a agricultura, e por outro lado são apontados por profissionais de saúde como potencialmente perigosos, pois a segurança de seu consumo para a saúde humana ainda não é bem estabelecida.

Entenda o que são os alimentos transgênicos, seus benefícios e possíveis riscos para a saúde e o meio ambiente, já que a informação é tudo o você precisa para fazer as suas próprias escolhas!

O que são alimentos transgênicos

Segundo o Ministério da Agricultura, os transgênicos são uma classe de organismos geneticamente modificados (OGMs) definidos como todo e qualquer organismo que teve seu material genético (DNA) modificado por meio de técnicas de engenharia ambiental aplicadas em laboratório.

Os alimentos transgênicos são produzidos através da transferência artificial de um ou mais genes de outras espécies com o objetivo de alcançar melhoramentos genéticos que aprimorem a qualidade do alimento e proporcionem características vantajosas do gene de origem como maior resistência à pragas ou aumento do valor nutricional.

Um produto transgênico pode ser um milho que recebeu um trecho do DNA de uma bactéria, um tofu feito com soja transgênica, uma farinha feita com milho transgênico ou um biscoito que tenha em sua composição derivados desses produtos.

Apesar dos termos organismos geneticamente modificados e transgênicos serem muito utilizados como sinônimos, existem diferenças importantes entre si. Confira:

  • OGMs: organismos que foram modificados com a introdução de um ou mais genes provenientes de um ser vivo da mesma espécie do organismo alvo. Exemplo: Tomate Flavr savr, apresenta um processo de maturação mais lento, colhido já maduro ainda na planta, visando qualidade nutricional e melhores condições de armazenamento. Foi produzido isolando uma sequência de genes do próprio tomate que foi inserida no sentido inverso no fruto.
  • Transgênicos: ser vivo que foi modificado geneticamente, recebendo um gene ou uma seqüência de genes de um ser vivo de espécie diferente. Exemplo: Soja Roundup Ready, recebeu genes de outras espécies com objetivo de aumentar a resistência do grão à herbicidas, especialmente o glifosato e assim protegê-los de ervas daninhas sem afetar sua qualidade.

Como os alimentos transgênicos são produzidos?

Talvez esse papo de transferência de genes possa parecer um pouco difícil de entender. Mas vamos te explicar melhor o que isso significa para facilitar a compreensão sobre os alimentos transgênicos.

O genoma forma o conjunto de todos os genes presentes em um ser vivo e esses genes são formados por segmentos de DNA, que como você já deve ter ouvido falar, são estruturas de proteínas encontradas no núcleo das células que guardam todo o nosso material genético e as informações do que podemos herdar de nossos pais e avós, como a cor da pele ou dos olhos, a tendência à algumas doenças ou ainda alguma habilidade especial comum na sua família.

Com as plantas as coisas não são muito diferentes, cada uma tem o seu genoma que lhe confere características específicas como os nutrientes que a compõe, o tempo que levam para amadurecer, o solo em que se desenvolvem melhor e sua resistência à insetos e outras pragas. Para a produção dos alimentos transgênicos é utilizada a técnica do DNA recombinante para produzir plantas geneticamente modificadas que apresentem novas características.

Nos vegetais, para fazer essa modificação genética é necessário inserir um ou mais genes no genoma das sementes, para fazer com que estas passem a reproduzir determinadas proteínas, que serão responsáveis em expressar as novas propriedades que foram planejadas para a planta.

Segundo os tipos de modificações genéticas realizadas nos vegetais, estes podem ser classificados em três gerações, de acordo com o aparecimento das culturas e característica apresentada:

  • 1ª geração: plantas geneticamente modificadas resistentes a herbicidas, pestes e vírus. Foram o primeiro grupo de plantas transgênicas disseminadas nos campos e até hoje são as mais produzidas no mundo.
  • 2ª geração: plantas cujas características nutricionais foram melhoradas em qualidade ou quantidade. Ainda não são tão difundidas, mas os campos experimentais têm crescido ao longo dos anos.
  • 3ª geração: grupos de plantas que são geneticamente modificadas para produzir produtos especiais como vacinas, hormônios, anticorpos e plásticos e estão em fase de experimentação.

Benefícios dos alimentos transgênicos

Apesar de causar controvérsias entre os cientistas, os alimentos geneticamente modificados apresentam alguns benefícios em potencial que foram demonstrados em alguns estudos e experimentos. Entre os benefícios dos transgênicos destacam-se:

  • Aumento da produtividade das colheitas: alguns casos mostram que os alimentos transgênicos podem produzir mais do que os convencionais. Em um trabalho realizado pela EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – foi introduzido no feijão, um gene do vírus responsável pelas viroses que prejudicavam sua plantação levando a perdas de 40 a 60% do grão. Com a modificação genética foi possível, dependendo do tempo de infestação, aproveitar até 100% da produção.
  • Tolerância das plantas a condições adversas de solo ou clima: a modificação genética de algumas plantas podem contribuir para que elas resistam a situações de estresse, como a ausência de irrigação das terras, um teor alto de sal no solo e a baixas temperaturas. Atribuir a propriedade de tolerância de grãos como a soja e o feijão à falta de irrigação pode melhorar a produção em regiões de seca.
  • Aumento do potencial nutricional dos alimentos: inserindo genes de outras espécies em uma planta é possível alterar sua composição nutricional para produzirem uma maior concentração de vitaminas (A, C e E) e aminoácidos essenciais ou eliminarem fatores anti-nutricionais que podem atrapalhar a absorção e utilização de nutrientes importantes para o organismo como cálcio, ferro e fósforo.
  • Alta resistência as pragas: estratégias envolvidas na produção de alimentos transgênicos podem promover a produção de proteínas dos agentes que causam as doenças nas plantações, como micróbios, vírus e larvas aumentando assim a resistência de vegetais como banana, alface e soja à ação de pragas que infestam as lavouras.
  • Redução do uso de agrotóxicos: esse benefício é um dos mais controversos, mas a medida que plantas mais resistentes à pragas são produzidas, a tendência é que ocorresse uma redução natural na utilização de agrotóxicos para defender as lavouras.
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A biotecnologia empregada na produção dos alimentos transgênicos é levantada por alguns pesquisadores como uma das soluções possíveis para combater a fome. Mas é importante evidenciar que o problema da fome não está restrito a disponibilidade de alimentos no mundo, já que a FAO – Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – reconhece que “o mundo produz alimentos suficientes para alimentar todas as pessoas que habitam o planeta – e poderia produzir até mais”.

A luta contra a fome não se reduz ao aumento da oferta de alimentos, mas em fornecer condições à população para adquirir ou autoproduzir o seu sustento, o que remete ao emprego gerador de renda, ao auto-emprego e à reforma agrária, pois a pobreza de uma grande parte da população mundial prejudica o acesso aos alimentos.

Resumo:

Apesar das discordâncias entre cientistas, produtores agrícolas e profissionais de saúde, a biotecnologia aplicada na produção dos alimentos transgênicos poderia aumentar a produtividade das colheitas, a tolerância à condições adversas de solo e clima, promover maior resistência à pragas e, consequentemente, uma esperada redução do uso de agrotóxicos.

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Riscos e possíveis pontos negativos destes alimentos

Já o Instituto de Defesa do Consumidor (IDEC) aponta que há diversos estudos que indicam os riscos dos transgênicos para a saúde humana. Os principais riscos no consumo de plantas transgênicas a longo prazo apontados por pesquisas científicas são:

  • Aumento das alergias: a inserção de genes de um ser vivo em outro faz com que novos compostos como proteínas e aminoácidos sejam produzidos. Essas novas substâncias na alimentação humana podem provocar alergias em muitas pessoas, e inclusive promover quadros alérgicos que antes não seriam comuns.
  • Aumento da resistência aos antibióticos: alguns genes marcadores que são inseridos nos alimentos transgênicos para verificar se a modificação genética funcionou podem ser extraídos de bactérias, e o consumo de alimentos com genes destas bactérias pode tornar micro-organismos causadores de doenças resistentes aos antibióticos.
  • Aumento das substâncias tóxicas: muitas plantas e micróbios possuem substâncias tóxicas para se defender dos predadores, como insetos, em quantidades que na maioria das vezes não fazem mal, mas se o gene de uma dessas plantas ou micróbios forem usados em alimentos, essas substâncias podem aumentar e causar mal às pessoas, insetos benéficos e outros animais, o que já acontece com o milho transgênico, pois seu pólen que se espalha pela natureza pode matar lagartas da espécie de borboleta monarca e larvas aquáticas, das quais muitos peixes se alimentam.
  • Aumento de venenos nos alimentos: fazendo um contraponto a teoria de que o aumento da resistência de plantas à pragas reduziria o uso de agrotóxicos, o contrário tem se mostrado verdadeiro, já que como a soja transgênica, por exemplo, não morre com a aplicação do herbicida glifosato, os resíduos deste veneno aumentaram muito no grão e, por isso, o limite máximo permitido da substância na soja foi alterada no Brasil de 0,2 ppm (partes por milhão) para 10 ppm, o que é muito ruim para a saúde.
  • Danos à espécies que não eram alvo e perda da biodiversidade: através do pólen de alimentos transgênicos como o milho, pode ocorrer a contaminação de plantações não transgênicas nativas e assim ocorre a chamada poluição genética. Além disso, a manipulação dos genes pode promover o aparecimento de espécies melhoradas adaptadas ao meio ambiente, levando ao desaparecimento de espécies mais frágeis, por um processo de “seleção natural”.

Resumo:

Diversos estudos têm demonstrado que apesar da alegação das entidades responsáveis, de que os alimentos transgênicos seriam seguros, eles representam riscos à saúde humana e ao meio ambiente, pois por serem produzidos com o cruzamento de genes que jamais aconteceriam naturalmente, podem aumentar os casos de alergias alimentares, a resistência à antibióticos e a quantidade de substâncias tóxicas na natureza, além de provocar danos às espécies vegetais mais frágeis, levando a perda de biodiversidade.

E o meio ambiente e a agricultura… Como ficam?

Além dos riscos para a saúde, os transgênicos podem causar impactos no meio ambiente e na agricultura, porque o aumento da resistência das plantas às ervas daninhas e pragas pode provocar um desequilíbrio nos ecossistemas, já que esses seres vivos, apesar de nocivos à produção, tem a sua função na natureza.

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A utilização destes novos genes nas sementes transgênicas obriga os agricultores a aplicar veneno nas plantações mais vezes e em quantidades maiores, resultando no aumento de resíduos nos alimentos que nós comemos, nos rios e no solo, prejudicando ainda mais o equilíbrio do meio ambiente.

A soja transgênica que começou a ser produzida nos Estados Unidos, depois na Argentina e foi se espalhando ao redor do mundo, é hoje uma das principais responsáveis pelo aumento cada vez mais crescente do uso de glifosato no Brasil, herbicida que é relacionado em estudos a casos de câncer, depressão e Alzheimer.

A empresa que vende as sementes transgênicas de soja é a mesma que vende este veneno e, apesar de ter apresentado estudos que comprovaram a segurança do uso da substância para a saúde humana, fica claro um conflito de interesses que prejudica a credibilidades dos dados.

A legislação brasileira sobre transgênicos e o direito à informação!

A lei brasileira voltada para a regulamentação dos transgênicos se baseia no Princípio da Precaução. Segundo esse princípio, não é necessário existir prova absoluta de dano para que haja a prevenção: havendo risco de dano grave ou irreversível, devem ser tomadas as medidas para proteger o meio ambiente e a saúde.

O Princípio da Precaução está descrito na Convenção da Diversidade Biológica (Rio-92) e do Protocolo de Cartagena sobre Biodiversidade. E também está em nossa Constituição Federal Brasileira e na Lei Nacional de Biossegurança.

No Brasil, está autorizado o plantio de soja, alguns tipos de milho e de algodão transgênico.

A soja e o milho são usados na produção de muitos alimentos, como papinhas para crianças, salgadinhos, cereais matinais, óleos, bolachas, massas, margarinas e enlatados.

A CTNBio – Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – é o órgão encarregado de avaliar e decidir sobre as liberações experimentais e comerciais de transgênicos no Brasil, mas suas decisões já foram contrárias ao posicionamento de entidades importantes como a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Ministério da Saúde) e o Ibama – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ministério do Meio Ambiente) – que fizeram ressalvas a liberação do milho transgênico.

Em relação a identificação de alimentos que contenham organismos geneticamente modificados, o Decreto de
Rotulagem de Transgênicos (Decreto 4.680/03) exige a informação sempre que o alimento contiver mais de 1% de ingrediente transgênico, mesmo que não seja possível detectá-lo por meio de testes de laboratório. Portanto, a regra é clara: se um alimento usou transgênico em sua formulação, tem que informar.

E isso vale para todos os alimentos, sejam eles in natura ou processados. Mesmo os alimentos provenientes de animais alimentados com ração transgênica – como leite, ovos, carnes – têm que ter um rótulo para avisar o consumidor com o símbolo “T”.

No entanto, hoje existe um projeto de lei nº 34/2015 que desobriga empresas a denunciarem a presença de transgênicos em seus produtos alimentícios, o que deixaria milhões de pessoas sem esta informação. A proposta, que tramita no Senado desde 2015, visa retirar dos rótulos dos alimentos este símbolo que indica a existência de organismos geneticamente modificados (OGMs), por isso é preciso estar atento aos seus direitos.

Agora que você já conhece os benefícios e riscos de consumir alimentos transgênicos observe com mais calma os rótulos dos alimentos antes de adquiri-los e faça valer o seu direito de escolha!

Referências:

  1. Idec, Instituto de Defesa do Consumidor. Transgênicos: feche a boca e abra os olhos. Publicado em 21.03.2013. Disponível em: http://www.idec.org.br/ckfinder/userfiles/files/Cartilha%20Transgenico.pdf.
  2. CIB, Conselho de Informações sobre Biotecnologia. Início >Transgênicos: tudo o que você precisa saber. Acesso em 02.02.2019. Disponível em: https://cib.org.br/transgenicos/
  3. Alves, G.S. A biotecnologia dos transgênicos: precaução é a palavra de ordem. HOLOS, Ano 20, outubro/2004. Disponível em: https://www.agrolink.com.br/downloads/91692.pdf
  4. Cavalli, S.B. Segurança alimentar: a abordagem dos alimentos transgênicos. Rev. Nutr., Campinas, 14 (suplemento): 41-46, 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-52732001000400007&script=sci_abstract&tlng=pt
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Escrito por

Carla Lizandra

Nutricionista com CRN 44307 formada em Nutrição pela Universidade Presbiteriana Mackenzie

Cursos intensivos de extensão em Nutrição Clínica Aplicada e Personal Diet Pós graduanda em Nutrição Clínica: do Home-care ao Hospital

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